EXCESSO DE CHUVAS PREJUDICAM LAVOURAS NO PARANÁ E PODEM PRESSIONAR PREÇOS ATÉ O INÍCIO DO ANO

Dos 30 principais produtos comercializados nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasas), metade registrou variação de preços entre setembro e a primeira quinzena de outubro.
Embora os valores também dependam de fatores como o comportamento das safras e o ciclo de plantio, o excesso de chuvas no Paraná já impacta a produção e começa a pesar no bolso do consumidor.
Segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), setembro terminou com o maior volume de chuva dos últimos 25 anos em pelo menos 14 estações meteorológicas.
Para o fim de outubro, a previsão ainda indica acumulados acima da média.

No campo, as chuvas intensas e frequentes dificultam o enraizamento das plantas, favorecem doenças fúngicas e reduzem a vida útil de hortaliças. Em culturas como tomate, batata e morango, o excesso de umidade também prejudica a colheita.
Além de comprometer a qualidade dos alimentos, as condições climáticas elevam os custos de produção. Para reduzir perdas, os produtores podem precisar investir em medidas de proteção contra granizo, aplicar defensivos para conter pragas e doenças ou refazer o plantio. Parte dessas despesas pode chegar ao consumidor por meio dos preços.
Para suprir a demanda e evitar que os preços subam ainda mais, parte dos produtos comercializados nas Ceasas vem de outras regiões do Brasil. Segundo Evandro Pilati, técnico da Ceasa, culturas de ciclo mais curto que já deveriam estar em fase de colheita na Região Metropolitana de Curitiba, como alface e abobrinha, não se desenvolveram dentro do esperado.


Perspectivas para o fim do ano
Os efeitos do excesso de chuva podem se estender pelos próximos meses. Pilati avalia que os reflexos sobre a produção e os preços podem chegar a fevereiro de 2027. No Sul, o plantio costuma se intensificar a partir de outubro, mas o excesso de chuva tem levado produtores a reduzir o ritmo dos trabalhos. A consequência pode aparecer principalmente nos preços de novembro, dezembro e janeiro.

Por Julia Moreira com informações do Tribuna do Paraná

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