
Redação com informações / Foto: UFPA
Enquanto o Brasil se consolida como uma potência mundial do agronegócio e bate recordes de exportação, existe uma outra força no campo que merece cada vez mais reconhecimento: a agricultura familiar. São pequenos produtores que cultivam hortaliças, frutas, mandioca, feijão, leite, ovos, mel, queijos e uma grande diversidade de alimentos que chegam diariamente à mesa das famílias brasileiras.
O contraste chama a atenção. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 169,2 bilhões e representaram 48,5% de tudo o que o país exportou. Soja, carnes, milho, açúcar, café e outros produtos ajudam a movimentar a economia e fazem do Brasil um dos maiores fornecedores de alimentos e matérias-primas agrícolas do mundo.
O que precisa ser reconhecido é que a agricultura familiar desempenha papel fundamental na diversidade de alimentos, na geração de trabalho no campo e, principalmente, no fortalecimento das economias locais.
DO CAMPO DIRETAMENTE PARA A MESA
É nas pequenas propriedades que muitas vezes encontramos uma produção diversificada: alface, couve, tomate, mandioca, batata-doce, abóbora, frutas, ovos, leite, queijos, doces, pães, mel e tantos outros produtos.
Quando o consumidor compra diretamente do agricultor, o dinheiro percorre um caminho muito mais curto. Em vez de passar por uma longa cadeia de intermediários, parte maior do valor pago pode permanecer com quem plantou, cuidou, colheu e levou aquele alimento até a cidade.
Por isso, frequentar a feira livre do município não deveria ser visto apenas como um hábito de compras. É também uma maneira de fortalecer a economia local.
Cada maço de verduras, cada dúzia de ovos, cada quilo de frutas ou produto artesanal comprado diretamente de uma família produtora ajuda a manter aquela propriedade economicamente ativa, gera renda e contribui para que novas gerações tenham motivos para permanecer no campo.
ORGÂNICOS TAMBÉM MERECEM ESPAÇO
Dentro desse movimento estão os produtores orgânicos. A legislação brasileira estabelece regras específicas para esse sistema de produção, baseado, entre outros princípios, no uso responsável dos recursos naturais, na sustentabilidade econômica e ecológica e na redução da dependência de insumos não renováveis.
No caso da agricultura familiar, existe inclusive a possibilidade de venda direta de produtos orgânicos por produtores vinculados a uma Organização de Controle Social (OCS) devidamente cadastrada. O Ministério da Agricultura mantém o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO), que permite ao consumidor consultar produtores regularizados.
Essa informação é importante porque valorizar o orgânico também exige responsabilidade: o consumidor deve procurar saber a procedência do alimento e, quando ele é comercializado como orgânico, verificar sua regularização.
VALORIZE A FEIRA LIVRE E O PRODUTOR QUE BATE À SUA PORTA
Em muitas cidades brasileiras ainda existe uma cena que merece ser preservada: o agricultor que chega com sua caminhonete, carro, moto ou veículo carregado de verduras, frutas, ovos e outros produtos e percorre os bairros vendendo de porta em porta.
Da mesma maneira, as feiras livres continuam sendo um dos principais pontos de encontro entre campo e cidade.
Comprar dessas famílias significa conhecer quem produz aquilo que estamos levando para casa. Significa perguntar onde foi cultivado, quando foi colhido e como foi produzido. É uma relação de proximidade que dificilmente existe nas grandes cadeias comerciais.
A própria regulamentação federal reconhece a importância dessa relação direta: agricultores orgânicos devidamente enquadrados nas regras de venda direta podem comercializar seus produtos ao consumidor em feiras e nas próprias unidades de produção.
Por isso, antes de fazer todas as compras exclusivamente nas grandes redes, vale olhar para quem está produzindo ao nosso redor.
Visite a feira livre. Converse com os agricultores. Conheça as propriedades rurais que comercializam diretamente. Prestigie aquele produtor que passa pelo seu bairro oferecendo verduras, frutas, ovos ou outros alimentos.
A agricultura de exportação possui enorme importância econômica para o Brasil. Mas um país forte também precisa valorizar quem produz para a comunidade, movimenta pequenos municípios, gera trabalho no campo e mantém uma relação direta entre a terra e a mesa do consumidor.